A decisão de colocar prótese de silicone raramente é impulsiva. Para a maioria das mulheres, ela vem depois de meses — ou anos — de pesquisa, dúvidas e conversas que ficam no campo do “um dia eu faço”.
Quando chega a hora de ir a fundo no assunto, as perguntas são sempre parecidas: qual tipo de prótese escolher, quanto custa, como é a recuperação, quais são os riscos reais e o que perguntar ao cirurgião.
Este guia reúne o que você precisa saber para chegar à consulta com clareza — não para substituir o médico, mas para aproveitar melhor o tempo que você tem com ele.
O que é mamoplastia com prótese de silicone
Mamoplastia de aumento é a cirurgia que utiliza implantes para aumentar o volume, melhorar a forma ou restaurar a projeção das mamas. A prótese de silicone é o implante mais utilizado no Brasil e no mundo — e o nome técnico que você verá em qualquer consulta.
O procedimento é feito sob anestesia geral e dura em média 1 a 2 horas. Na maioria dos casos, a paciente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
É a cirurgia plástica estética mais realizada no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O volume de procedimentos cresce a cada ano — o que também aumenta a disponibilidade de profissionais qualificados e a maturidade das técnicas disponíveis.
Tipos de prótese de silicone
Antes de qualquer decisão, é preciso entender que existem variáveis que o cirurgião avalia em conjunto com você. Conhecer essas variáveis ajuda a conversar com mais clareza na consulta.
Formato: redonda ou anatômica
Prótese redonda: volume distribuído de forma mais uniforme, com projeção maior na parte superior da mama. Tende a dar um visual mais cheio e arredondado. É a mais utilizada no Brasil.
Prótese anatômica (gota): formato cônico que imita o perfil natural da mama, com mais volume na parte inferior. Indicada para quem busca resultado mais natural, especialmente em mamas tubulares ou com pouco volume na base.
Não existe a melhor opção em termos absolutos — existe a mais adequada para cada anatomia e para o resultado que cada mulher deseja.
Superfície: texturizada ou lisa
Texturizada: superfície rugosa que facilita a aderência ao tecido ao redor, reduzindo o risco de deslocamento. Foi o padrão por muitos anos.
Lisa: superfície polida, mais associada a resultados naturais e movimento mais parecido ao da mama nativa. Seu uso cresceu nos últimos anos, especialmente após reavaliações sobre a texturização.
Seu cirurgião indicará qual superfície é mais adequada para o posicionamento escolhido e para sua anatomia.
Posição: por baixo ou por cima do músculo
Esta é uma das dúvidas mais frequentes — e uma das decisões que mais impacta o resultado final.
Prótese por baixo do músculo (submuscular): o implante fica coberto pelo músculo peitoral. Resultado tende a ser mais natural, com bordas menos visíveis. Recomendada para mulheres com pouco tecido mamário próprio. A recuperação tende a ser um pouco mais intensa nos primeiros dias.
Prótese por cima do músculo (subglandular): o implante fica entre a glândula mamária e o músculo. Recuperação geralmente mais rápida, resultado com mais projeção imediata. Melhor indicada para quem já tem algum volume mamário.
Dual plane: técnica que combina as duas posições — parte do implante sob o músculo e parte não. Permite resultados muito naturais em anatomias específicas.
A posição ideal depende da sua anatomia e do resultado esperado. Não existe uma resposta universal.
Como escolher o tamanho
O tamanho da prótese é medido em mililitros (ml) e não em número de sutiã — embora muita mulher chegue à consulta com uma numeração em mente.
O cirurgião avalia:
Largura da base da mama — o diâmetro da prótese precisa respeitar essa medida para evitar resultados artificiais ou desconfortos
Distância entre as mamas — interfere no posicionamento e no aspecto final
Elasticidade da pele — pele com pouca elasticidade tolera volumes menores
Altura e estrutura corporal — o que fica proporcional em uma mulher pode não ficar em outra
Muitos cirurgiões utilizam sizers (próteses de prova) que a paciente experimenta dentro do sutiã para visualizar o volume antes de decidir. É um recurso valioso — pergunte ao seu médico se ele utiliza essa abordagem.
Erro comum: escolher tamanho baseado apenas em fotos de outra mulher. O mesmo volume produz resultados muito diferentes em corpos diferentes.
Como é o procedimento
Antes: consulta com avaliação clínica e fotográfica, escolha do implante, exames pré-operatórios. Em alguns casos, ecografia mamária para avaliação do tecido.
No dia: internação breve, anestesia geral, cirurgia de 1 a 2 horas. A incisão pode ser feita em três locais: na aréola (periareolar), no sulco inframamário (dobra sob a mama) ou na axila. O sulco inframamário é o mais utilizado por oferecer bom acesso e cicatriz discreta.
Após a cirurgia: você acorda com curativo e, na maioria dos casos, com um dreno temporário. A alta costuma ocorrer em 24 horas.
Recuperação da prótese de silicone
A recuperação é o aspecto que mais gera ansiedade antes da cirurgia — e o que mais surpreende positivamente depois.
Primeiros dias: dor e sensação de peso no peito, especialmente quando a prótese é posicionada sob o músculo. Medicação analgésica é prescrita e resolve bem o desconforto. Repouso relativo.
Primeira semana: redução significativa do desconforto. Curativo trocado na consulta de revisão. Ainda há restrição de movimentos com os braços.
Duas semanas: a maioria das mulheres já consegue retomar atividades cotidianas leves. Inchaço ainda presente — o resultado real ainda não está completamente visível.
Um mês: as próteses começam a “assentar” — processo chamado de descida ou acomodação dos implantes. A forma final começa a aparecer.
Três a seis meses: resultado definitivo, próteses acomodadas, cicatrizes maturando. É neste momento que você verá o resultado real da cirurgia.
Cuidados importantes durante a recuperação:
Usar sutiã cirúrgico por pelo menos 4 a 6 semanas
Evitar atividades físicas por 4 a 6 semanas (especialmente exercícios que envolvam os braços e peito)
Não dormir de bruços por algumas semanas
Proteção solar nas cicatrizes até a maturação completa
Não fumar — o tabagismo compromete a cicatrização e aumenta riscos
Quanto custa prótese de silicone em 2026
O valor varia conforme a cidade, o cirurgião, o tipo de implante e o hospital. Os valores abaixo são referência e podem variar além dessas faixas:
Capitais grandes (São Paulo, Rio de Janeiro): R$ 15.000 a R$ 30.000
Capitais menores e interior: R$ 8.000 a R$ 20.000
Clínicas com financiamento: parcelamento em até 24x é comum
O que está incluído no valor geralmente: honorários do cirurgião, honorários do anestesista, uso do centro cirúrgico, implantes e acompanhamento pós-operatório.
O que observar ao comparar preços:
Valores muito abaixo da média de mercado merecem atenção. Verifique qual marca de implante será usada (marcas registradas na ANVISA como Mentor, Silimed, Motiva e Polytech são referência de qualidade), em qual hospital ou clínica a cirurgia será realizada e se o acompanhamento pós-operatório está incluído.
Mamoplastia com prótese não tem cobertura por plano de saúde quando a indicação é estética. Em casos de reconstrução mamária pós-mastectomia, a cobertura é obrigatória por lei.
Riscos que você precisa conhecer
Toda cirurgia tem riscos. Os específicos da mamoplastia com prótese incluem:
Contratura capsular: o tecido cicatricial ao redor do implante endurece além do normal, podendo deformar a mama ou causar dor. É a complicação mais comum e pode exigir nova cirurgia.
Deslocamento do implante: o implante se move para uma posição incorreta. Pode ser corrigido cirurgicamente.
Ruptura do implante: os implantes modernos têm longa durabilidade, mas não são vitalícios. Implantes de silicone coesivo (gel firme), quando rompem, tendem a manter o formato.
Perda de sensibilidade: temporária na maioria dos casos, pode ser permanente em uma minoria.
BIA-ALCL: linfoma associado a implantes de superfície texturizada, raro mas documentado. A ANVISA e a SBCP recomendam acompanhamento periódico.
O que perguntar ao cirurgião na consulta
Chegue com estas perguntas anotadas:
Qual posicionamento você recomenda para minha anatomia — e por quê?
Qual marca e modelo de implante você usa? Por que essa escolha?
Qual incisão você fará? Onde ficará a cicatriz?
Qual o plano se houver alguma complicação?
O acompanhamento pós-operatório está incluso? Por quanto tempo?
Você tem fotos de resultados com anatomia parecida com a minha?
Com que frequência devo fazer revisão após a cirurgia?
Um bom cirurgião responde essas perguntas com clareza e sem pressa. Se você sair da consulta com mais dúvidas do que entrou, é sinal de que precisa de mais conversa — ou de uma segunda opinião.
Perguntas frequentes sobre prótese de silicone
Prótese de silicone tem validade?
Os implantes modernos não têm prazo de troca obrigatório. A indicação de substituição surge quando há complicação — ruptura, contratura capsular ou deslocamento — ou quando a mulher deseja mudança de tamanho. Acompanhamento periódico com o cirurgião é recomendado.
Posso amamentar com prótese de silicone?
Na maioria dos casos, sim. A via de acesso mais indicada para quem pretende amamentar é o sulco inframamário, pois preserva melhor os ductos mamários e a aréola. Informe ao cirurgião se esta é uma preocupação.
Prótese de silicone aparece na mamografia?
Sim, o implante aparece no exame. Por isso, ao marcar mamografia, informe que tem implante. A técnica do exame é adaptada para visualizar o tecido mamário mesmo com a presença do implante.
Qual a diferença entre prótese de silicone e prótese de solução salina?
A prótese de solução salina tem invólucro de silicone preenchido com soro fisiológico. Menos utilizada no Brasil que a de gel de silicone. O gel coesivo moderno oferece resultado mais natural e é menos suscetível a dobras visíveis.
Silicone por baixo do músculo dói mais?
A recuperação tende a ser mais intensa nos primeiros dias quando a prótese é posicionada sob o músculo, pois o músculo peitoral foi descolado. O desconforto é controlado com analgésicos e diminui significativamente na primeira semana.
Quanto tempo depois da cirurgia posso voltar ao trabalho?
Depende do tipo de trabalho. Atividades administrativas e sem esforço físico: entre 7 e 14 dias. Trabalho físico intenso: de 4 a 6 semanas.
A prótese fica visível ou palpável?
Quando bem indicada para a anatomia da paciente, a prótese não deve ser visível nem perceptível ao toque. Mulheres com muito pouco tecido mamário próprio podem sentir as bordas do implante em certas posições — o posicionamento submuscular reduz esse risco.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um cirurgião plástico qualificado. Toda decisão sobre procedimento cirúrgico deve ser tomada com base em consulta médica individualizada. Procure um profissional certificado pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).
